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Tarifaço dos EUA já reflete em preços mais baixos nos supermercados de Goiás, mas efeito pode ser temporário

today21 de agosto de 2025 36

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As tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos já começaram a impactar o bolso do consumidor goiano. Com o tarifaço imposto pelo governo norte-americano, produtos brasileiros ficaram mais caros para exportação, reduzindo o volume de vendas externas. Como consequência, mais alimentos permaneceram no mercado interno, o que ampliou a oferta e derrubou os preços em feiras e supermercados.

De acordo com o IBGE, Goiânia registrou em julho a menor variação do IPCA-15 do país, com queda de −0,05%. O resultado foi puxado, principalmente, pela redução nos preços dos alimentos e dos combustíveis, reflexo direto da mudança tarifária anunciada neste mês.

Alimentos mais baratos

Os consumidores já percebem os efeitos nas gôndolas:

  • Arroz: −3,99%

  • Frango em pedaços: −3,35%

  • Pão francês: −2,73%

  • Ovos: −4,64%

  • Gasolina: −1,63%

  • Etanol: −4,23%

A carne bovina também ficou mais acessível, com a arroba caindo de R$ 300 para menos de R$ 260, o que reduziu os preços de cortes como acém, patinho e músculo. Frutas como manga e mamão também estão mais baratas. Já itens como café e suco de laranja foram poupados do tarifaço, evitando impactos maiores.

“Alívio temporário”

Apesar do respiro, especialistas alertam que a queda pode durar pouco. O economista Luiz Batista Alves, presidente do Conselho Regional de Economia de Goiás (Corecon-GO), explica que o movimento é passageiro.

“O mercado pode se ajustar em dois ou três meses, com produtores buscando novos compradores ou produzindo menos. Esse tipo de queda é resultado de excesso momentâneo de oferta. Assim que a produção cair, os preços voltam a subir”, destacou.

Impacto no PIB e no emprego

A Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG) estima que o tarifaço pode provocar perdas de até R$ 1,36 bilhão no PIB goiano, o equivalente a 0,36% da economia estadual. Os prejuízos devem recair principalmente sobre a indústria (R$ 860,9 milhões), seguida da agropecuária (R$ 250,1 milhões) e dos serviços (R$ 245,6 milhões), atingindo áreas como transporte, comércio e logística.

O impacto no mercado de trabalho também preocupa: cerca de 23 mil empregos podem estar em risco em Goiás, sobretudo em frigoríficos, usinas e setores logísticos. Municípios como Rio Verde, Itumbiara, Jataí e Anápolis — polos agroindustriais e de exportação — estão entre os mais vulneráveis.

Reação do governo

Para reduzir os efeitos da crise, o governo estadual lançou em julho um pacote de R$ 628 milhões em crédito, com juros de 10% ao ano, destinado a empresas diretamente afetadas. A contrapartida exigida é a manutenção dos postos de trabalho. Frigoríficos, usinas, indústrias e cooperativas podem solicitar o recurso, por meio da Secretaria-Geral do Governo (SGG), desde agosto.

Segundo Luiz Batista Alves, a medida precisa ser bem direcionada. “O foco deve ser a manutenção dos empregos, com apoio à industrialização local e linhas de crédito acessíveis para empresas afetadas”, defendeu.

O que esperar

Embora o momento represente alívio imediato para o consumidor, os especialistas alertam que a situação é transitória. O desafio será conciliar preços mais baixos no curto prazo com a sustentabilidade da produção e a preservação dos empregos no longo prazo.

Escrito por Rádio Terra

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