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Uso de antibióticos pode gerar perdas bilionárias ao agro

today8 de junho de 2026 3

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Relatório da FAO alerta para crescimento no uso de antimicrobianos na pecuária e risco de prejuízos bilionários ao setor até 2040.

O uso excessivo de antibióticos na pecuária pode representar um custo bilionário para o agronegócio nos próximos anos. Um relatório recente da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) acendeu o alerta ao apontar que, mantidas as tendências atuais, o uso de antimicrobianos na produção animal deve crescer cerca de 30% até 2040.

Durante décadas, os antimicrobianos foram fundamentais para impulsionar a produtividade da pecuária mundial. Além de combater doenças, esses medicamentos também foram utilizados, em diversos países, como promotores de crescimento, contribuindo para maior eficiência produtiva e expansão da oferta de proteína animal.

No entanto, o mesmo recurso que garante ganhos no curto prazo pode se tornar um desafio econômico e sanitário de grandes proporções no futuro.

Brasil enfrenta pressão internacional sobre antibióticos

Como um dos maiores exportadores de carne bovina, suína e de frango do mundo, o Brasil está no centro das discussões globais sobre o uso responsável de medicamentos veterinários.

Recentemente, a União Europeia retirou o Brasil da lista de exportadores habilitados sob alegação de não conformidade com regras relacionadas ao uso de antibióticos ao longo da vida dos animais. O país terá até o início de setembro para apresentar comprovação documental sobre o uso racional desses medicamentos e evitar prejuízos estimados em US$ 1,8 bilhão.

A preocupação também chegou ao Reino Unido. Segundo reportagem do jornal britânico The Guardian, a Aliança para Salvar Nossos Antibióticos (ASOA) defendeu a proibição da importação de carnes produzidas com promotores de crescimento antimicrobianos, medida que pode impactar diretamente as exportações brasileiras, que superaram US$ 380 milhões em 2025.

Resistência antimicrobiana preocupa especialistas

Em sistemas intensivos de produção, os antibióticos são usados tanto no tratamento quanto na prevenção de doenças nos rebanhos. Porém, o uso frequente favorece a seleção de bactérias resistentes.

Na prática, quando bovinos, suínos ou aves recebem antibióticos constantemente, parte das bactérias consegue sobreviver ao tratamento e desenvolver resistência. Com o tempo, esses microrganismos podem se espalhar nos rebanhos, reduzindo a eficácia dos medicamentos e elevando os riscos sanitários.

Segundo projeções da FAO, as perdas acumuladas para a pecuária global podem atingir US$ 318 bilhões até 2040 em um cenário de alta resistência antimicrobiana — valor muito superior ao custo estimado para implementar sistemas mais sustentáveis e menos dependentes de medicamentos.

Desafio envolve custos e adaptação do setor

A principal dificuldade para produtores e governos está nos investimentos necessários para reduzir a dependência dos antibióticos. Medidas como vacinação, reforço na biossegurança, assistência veterinária e melhorias no manejo exigem recursos imediatos.

Em países em desenvolvimento, o cenário é ainda mais desafiador. Para muitos produtores, os antibióticos continuam sendo uma alternativa mais acessível do que mudanças estruturais na produção. Sem apoio técnico e financeiro, a transição pode provocar aumento temporário nos custos e queda de produtividade.

A FAO defende que a resistência antimicrobiana seja tratada não apenas como uma questão sanitária, mas também econômica e estratégica para garantir a segurança alimentar global nas próximas décadas.

Fonte: FAO e The Guardian / CNN Brasil

Escrito por Rádio Terra

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