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Angola ganha espaço como nova fronteira do agronegócio brasileiro

today12 de agosto de 2026 4

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Acordo prevê investimentos de US$ 120 milhões, cultivo em 20 mil hectares e transferência de tecnologia agrícola brasileira para Angola

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Angola começa a ganhar espaço na estratégia de expansão do agronegócio brasileiro. A busca por novos mercados ganhou força após o tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e aumentou o interesse por oportunidades no continente africano.

Em Luanda, 30 empresários brasileiros participam de uma agenda de negócios voltada à identificação de oportunidades de investimento em Angola. A iniciativa busca transformar a aproximação entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e João Lourenço em negócios, investimentos e produção local.

O agronegócio aparece como um dos principais setores dessa estratégia.

Para o economista Roberto Gianetti da Fonseca, ex-secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), a África representa uma oportunidade para o Brasil ampliar seus mercados.

“Com o tarifaço, temos que buscar mercados. A África é uma oportunidade fantástica”, afirmou.

Gianetti defende que o Brasil adote uma estratégia baseada não apenas na exportação de produtos, mas também em investimentos e produção local.

“Temos que olhar para a África com um olhar de parceria, inovação e produção local”, disse.

Brasil e Angola ampliam cooperação no agronegócio

A aproximação entre os dois países ganhou uma frente específica com a criação do Programa de Investimento Produtivo Agropecuário Brasil–Angola, formalizado em 2025.

O programa busca estruturar propostas de cooperação e investimentos agrícolas entre Brasil e Angola.

Em maio deste ano, uma missão liderada pelo ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, levou empresários brasileiros a Angola. O objetivo foi conhecer o ambiente de negócios e prospectar áreas para projetos agropecuários e agroindustriais.

Na ocasião, o governo brasileiro apresentou uma proposta de acordo bilateral de US$ 120 milhões para investimentos agrícolas.

O projeto prevê inicialmente a concessão de 20 mil hectares em províncias angolanas para cultivo por produtores brasileiros. A proposta também contempla a transferência de tecnologias desenvolvidas no Cerrado para as condições agrícolas africanas.

Demanda por alimentos cria oportunidades

Angola tem cerca de 37 milhões de habitantes e deve chegar a aproximadamente 70 milhões em 2050. Segundo informações apresentadas por autoridades angolanas, a produção nacional atende apenas 37% da demanda interna.

Com isso, o país depende de importações de alimentos, que chegam perto de US$ 3 bilhões por ano.

Para empresários e especialistas envolvidos nas negociações, esse cenário abre espaço para investimentos destinados ao aumento da produção agrícola local.

A estratégia, portanto, não se limita à venda de produtos brasileiros para o mercado angolano. A proposta envolve a instalação de atividades produtivas no próprio país.

Projeto prevê participação de produtores brasileiros

A proposta de US$ 120 milhões deve contar inicialmente com cerca de 30 agricultores brasileiros, principalmente dos estados de Mato Grosso e Bahia.

As áreas identificadas estão localizadas nas províncias de Cuanza Norte, Uíge e Malanje.

O financiamento deverá envolver o BNDES e o Fundo Soberano de Angola. Já o Banco do Brasil deve operar recursos do Programa de Financiamento às Exportações (Proex).

Produtores brasileiros chegaram a defender a concessão de até 500 mil hectares. Entretanto, o projeto que avançou prevê, nesta primeira etapa, 20 mil hectares.

Máquinas e tecnologia também entram no projeto

A expansão para Angola pode beneficiar não apenas produtores rurais, mas também empresas brasileiras ligadas à cadeia do agronegócio.

O plano prevê financiamento para a compra e exportação de máquinas agrícolas fabricadas no Brasil e insumos produzidos por empresas brasileiras.

Também estão previstos investimentos em armazenagem, irrigação e infraestrutura.

A proposta busca levar para Angola uma cadeia produtiva que envolva máquinas, sementes, insumos, tecnologia e conhecimento.

África é vista como nova fronteira agrícola

A ex-ministra da Agricultura Kátia Abreu avalia que a expansão para o continente representa uma mudança na estratégia do agronegócio brasileiro.

Segundo ela, o Brasil precisa considerar a África como uma nova fronteira agrícola, especialmente pela experiência acumulada em agricultura tropical.

A avaliação também é defendida por Gianetti, que destaca o conhecimento desenvolvido pelo Brasil ao longo de décadas de pesquisa e adaptação de tecnologias agrícolas.

Para Kátia Abreu, essa experiência pode permitir uma relação de parceria com países africanos.

Ela também avalia que Brasil e China podem desempenhar papéis diferentes nesse processo. Enquanto os chineses podem participar de projetos de infraestrutura e investimentos, os brasileiros podem contribuir principalmente com conhecimento e tecnologia agrícola.

A aproximação entre Brasil e Angola, portanto, coloca o agronegócio no centro de uma estratégia que combina produção local, transferência de tecnologia, investimentos e abertura de novos mercados para empresas brasileiras.

Fonte: CNN Brasil.

Crédito da foto: Imagem gerada por IA.

Escrito por Rádio Terra

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