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Prefeitura de Goiânia gasta R$ 151 mil com foguetes para afastar urubus de aterro sanitário

today22 de outubro de 2025 46

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A Prefeitura de Goiânia vai desembolsar R$ 151,6 mil na compra de foguetes e rojões destinados a espantar urubus que sobrevoam o aterro sanitário da capital. A contratação, feita pela Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg), foi oficializada por meio de pregão eletrônico, cujo resultado foi publicado no Diário Oficial do Município na segunda-feira (20).

De acordo com o edital, os artefatos são pirotécnicos de efeito sonoro, classificados como uso controlado, e servirão para a dispersão de aves em áreas operacionais do aterro. O modelo adquirido é do tipo “12 por 1 tiro”, que dispara uma sequência de 12 tiros normais e um mais forte ao final.

Cada unidade contém até 6 gramas de pólvora, sendo acondicionadas em caixas com seis peças. No total, o contrato prevê o fornecimento de 11.520 itens, divididos em quatro lotes.

Apesar da justificativa técnica, a medida levanta questionamentos. Isso porque uma lei estadual de 2022 proíbe a queima e o manuseio de fogos de artifício com efeito de tiro em ambientes públicos ou privados. Além disso, especialistas alertam para riscos de incêndio, já que o aterro produz gás metano, substância altamente inflamável.

Outro ponto de preocupação é o impacto ambiental. Urubus desempenham papel essencial na decomposição de matéria orgânica, contribuindo para o equilíbrio do ecossistema local.

O delegado Luziano de Carvalho, da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes contra o Meio Ambiente (Dema), afirmou que o uso desses artefatos pode ser permitido em situações específicas e com autorização prévia, como ocorre em aeroportos. No entanto, ainda não há confirmação se a prefeitura obteve a licença necessária para a aplicação dos fogos no aterro.

Em nota, a Comurg informou que os itens serão usados exclusivamente na área operacional e fazem parte do trabalho de controle de vetores e pragas por espantamento sonoro, seguindo protocolos técnicos e de segurança. A companhia reforçou que a prática é adotada em aterros de todo o país e que o processo segue as normas de transparência e legislação de compras públicas.

Escrito por Rádio Terra

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