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EUA sinalizam possível envolvimento no conflito entre Irã e Israel

today18 de junho de 2025 37

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A tensão no Oriente Médio voltou a se intensificar após os Estados Unidos emitirem fortes sinais de que podem intervir diretamente no conflito entre Israel e Irã. A movimentação militar e as declarações do presidente Donald Trump aumentaram as especulações sobre uma eventual participação americana na ofensiva israelense.

A escalada teve início após ataques de Israel contra alvos iranianos na sexta-feira (13), os quais foram classificados pelo governo americano como “unilaterais”. À época, o secretário de Estado, Marco Rubio, reforçou o compromisso com a diplomacia, e Trump reafirmou apoio às negociações nucleares com Teerã.

No entanto, o tom mudou nos últimos dias. Na terça-feira (17), Trump usou suas redes sociais para ameaçar diretamente o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei. “Ele é um alvo fácil… mas não vamos tirá-lo de lá, pelo menos não por enquanto”, escreveu. A declaração foi seguida por uma atitude incomum: o presidente deixou abruptamente a cúpula do G7, no Canadá, para retornar aos Estados Unidos e se reunir com o Conselho de Segurança Nacional.

Durante o voo no Air Force One, Trump foi direto: “Não estou com muita vontade de negociar com o Irã”. A fala repercutiu internacionalmente e ampliou os temores de um envolvimento bélico direto.

Fontes próximas ao governo afirmam que estão em análise ações militares, incluindo o uso de bombas de alta penetração – conhecidas como “destruidoras de bunkers” – contra instalações nucleares subterrâneas iranianas, como a de Fordo. Além disso, o fornecimento de aviões-tanque a Israel, para viabilizar ataques de longo alcance, também está sendo discutido.

O vice-presidente J.D. Vance reforçou o discurso de endurecimento. Em postagem na rede X (antigo Twitter), afirmou que Trump “pode decidir tomar medidas adicionais para acabar com o enriquecimento de urânio do Irã”.

Do lado iraniano, o alerta veio com força. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghaei, classificou qualquer intervenção americana como “receita para uma guerra total”. Ainda assim, afirmou à Al Jazeera que “a diplomacia nunca acaba”.

Na prática, os EUA já redirecionaram o porta-aviões USS Nimitz, que estava no Mar da China Meridional, para o Oriente Médio. Outros cinco navios de guerra, incluindo o USS Carl Vinson, estão posicionados no Mar da Arábia. A movimentação reforça o apoio logístico a Israel e a defesa de bases americanas na região.

De acordo com dados da Aurora Intel, caças e aeronaves de reabastecimento foram deslocados para pontos estratégicos na Europa – entre eles, Espanha, Inglaterra, Alemanha e Grécia. Atualmente, cerca de 40 mil soldados americanos estão em solo no Oriente Médio, número que chegou a 43 mil em outubro passado, após ataques no Mar Vermelho atribuídos a grupos houthis, aliados de Teerã.

Enquanto isso, o confronto direto entre Irã e Israel já deixou centenas de mortos. Explosões foram registradas em Isfahan, cidade iraniana que abriga instalações nucleares, e também em áreas residenciais nos dois países. O governo israelense afirma ter eliminado generais iranianos e cientistas ligados ao programa nuclear, enquanto o Irã acusa Israel de causar pelo menos 224 mortes, entre elas, civis.

As negociações sobre o programa nuclear iraniano, que vinham sendo mediadas por países europeus, estão atualmente paralisadas. O presidente da França, Emmanuel Macron, fez um apelo por diálogo, mas alertou que uma tentativa de mudança de regime no Irã poderia desencadear o caos.

Na ONU, o embaixador iraniano Ali Bahreini foi enfático: “Se os EUA se envolverem diretamente ao lado de Israel, responderemos com firmeza, sem hesitação e sem moderação”. A fala aumenta ainda mais a tensão em torno de um possível alastramento da guerra.

Com os Estados Unidos demonstrando poderio aéreo e força militar no Oriente Médio, e Israel intensificando seus ataques, o cenário se torna cada vez mais instável — com risco real de o conflito regional se transformar em uma crise internacional de grandes proporções.

Escrito por Rádio Terra

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