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A recente decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros acendeu um alerta no setor produtivo nacional. Em Goiás, representantes do agronegócio e da indústria avaliam os possíveis impactos da medida, especialmente diante do crescimento das exportações para o mercado norte-americano.
De acordo com dados do Comex Stat, plataforma oficial do governo federal para estatísticas do comércio exterior, os Estados Unidos foram o destino de 3,3% das exportações goianas em 2024. O índice coloca Goiás entre os estados brasileiros menos dependentes do mercado norte-americano, ao lado de Tocantins (3%), Piauí (3%), Distrito Federal (2,8%), Mato Grosso (1,5%) e Roraima (0,3%).
Na outra ponta, estados como Ceará (45%), Espírito Santo (30%) e Paraíba (22%) lideram a lista dos que mais exportam para os EUA.
Apesar da participação relativamente modesta, os números mais recentes mostram que a presença dos Estados Unidos na balança comercial de Goiás está em crescimento. De janeiro a junho de 2025, os norte-americanos já responderam por 5% das exportações goianas, um aumento de 87,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Em valores absolutos, isso representa um salto de 157 milhões de dólares, totalizando 337 milhões de dólares FOB (Free On Board) — valor que considera os custos até o embarque da mercadoria no país de origem.
A soja é o principal produto exportado por Goiás para os EUA, representando 49% do total. Em seguida aparecem:
Carne bovina (13%)
Farelos de soja e rações (7%)
Ferro e aço (6,3%)
Carnes de aves (3,9%)
Açúcar (3,4%)
Ouro (2,7%)
Óleos vegetais (1,8%)
Couro (1%)
A decisão de Trump já gera reações em Goiás. Para a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), a supertarifa compromete a competitividade do setor agropecuário local e deve afetar o custo de insumos agrícolas essenciais.
“Essa nova taxação traz reflexos diretos às exportações do agronegócio nacional e goiano. Consequentemente, trará aumentos nos custos de insumos importados e impactará na competitividade das nossas exportações”, alertou o presidente da Faeg, José Mário Schreiner, em nota oficial.
Entre os produtos mais prejudicados pela medida estão carne bovina, açúcar, frutas, milho, peixes, café e hortaliças. Há ainda receio quanto ao aumento no custo de máquinas agrícolas e fertilizantes, itens frequentemente importados dos EUA por produtores goianos.
Segundo o gerente técnico da Faeg, Edson Novaes, o impacto será sentido em toda a cadeia produtiva. “Todos perdem com uma guerra comercial. Para o Brasil, o risco é maior, porque o fechamento de mercado pode refletir diretamente na geração de empregos e nos níveis de preços de setores estratégicos da nossa economia. O impacto poderá ser percebido tanto no campo quanto na cidade”, afirmou.
Com os novos desafios impostos pelo cenário internacional, especialistas alertam para a necessidade de diversificar os mercados de exportação e buscar alternativas que garantam a competitividade de Goiás no comércio exterior.
Escrito por Rádio Terra
today12 de abril de 2023 9291 9
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