Notícias

Participação dos EUA nas exportações de Goiás cresce e preocupa setor produtivo

today16 de julho de 2025 34

Fundo
share close

A recente decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros acendeu um alerta no setor produtivo nacional. Em Goiás, representantes do agronegócio e da indústria avaliam os possíveis impactos da medida, especialmente diante do crescimento das exportações para o mercado norte-americano.

De acordo com dados do Comex Stat, plataforma oficial do governo federal para estatísticas do comércio exterior, os Estados Unidos foram o destino de 3,3% das exportações goianas em 2024. O índice coloca Goiás entre os estados brasileiros menos dependentes do mercado norte-americano, ao lado de Tocantins (3%), Piauí (3%), Distrito Federal (2,8%), Mato Grosso (1,5%) e Roraima (0,3%).

Na outra ponta, estados como Ceará (45%), Espírito Santo (30%) e Paraíba (22%) lideram a lista dos que mais exportam para os EUA.

Apesar da participação relativamente modesta, os números mais recentes mostram que a presença dos Estados Unidos na balança comercial de Goiás está em crescimento. De janeiro a junho de 2025, os norte-americanos já responderam por 5% das exportações goianas, um aumento de 87,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Em valores absolutos, isso representa um salto de 157 milhões de dólares, totalizando 337 milhões de dólares FOB (Free On Board) — valor que considera os custos até o embarque da mercadoria no país de origem.

Soja lidera exportações goianas aos EUA

A soja é o principal produto exportado por Goiás para os EUA, representando 49% do total. Em seguida aparecem:

  • Carne bovina (13%)

  • Farelos de soja e rações (7%)

  • Ferro e aço (6,3%)

  • Carnes de aves (3,9%)

  • Açúcar (3,4%)

  • Ouro (2,7%)

  • Óleos vegetais (1,8%)

  • Couro (1%)

Impacto e preocupação com a competitividade

A decisão de Trump já gera reações em Goiás. Para a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), a supertarifa compromete a competitividade do setor agropecuário local e deve afetar o custo de insumos agrícolas essenciais.

“Essa nova taxação traz reflexos diretos às exportações do agronegócio nacional e goiano. Consequentemente, trará aumentos nos custos de insumos importados e impactará na competitividade das nossas exportações”, alertou o presidente da Faeg, José Mário Schreiner, em nota oficial.

Entre os produtos mais prejudicados pela medida estão carne bovina, açúcar, frutas, milho, peixes, café e hortaliças. Há ainda receio quanto ao aumento no custo de máquinas agrícolas e fertilizantes, itens frequentemente importados dos EUA por produtores goianos.

Segundo o gerente técnico da Faeg, Edson Novaes, o impacto será sentido em toda a cadeia produtiva. “Todos perdem com uma guerra comercial. Para o Brasil, o risco é maior, porque o fechamento de mercado pode refletir diretamente na geração de empregos e nos níveis de preços de setores estratégicos da nossa economia. O impacto poderá ser percebido tanto no campo quanto na cidade”, afirmou.

Com os novos desafios impostos pelo cenário internacional, especialistas alertam para a necessidade de diversificar os mercados de exportação e buscar alternativas que garantam a competitividade de Goiás no comércio exterior.

Escrito por Rádio Terra

Rate it

Comentários da publicação (0)

Deixe uma resposta

O seu email não vai ser publicado. Os campos obrigatórios estão marcados com *