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Nos últimos meses, o mercado brasileiro de smartphones foi palco de um novo movimento: a chegada em massa de fabricantes chinesas. Desde o fim de 2024, empresas como Oppo, realme, Infinix, Honor e Jovi anunciaram produção local e parceria com marcas brasileiras, chamando atenção por desafiar o domínio consolidado de Samsung, Motorola, Apple e Xiaomi — essa última já veterana no país.
Apesar do burburinho, o impacto dessas novas marcas nas vendas ainda é discreto. De acordo com a consultoria global IDC, especializada no setor de tecnologia, a presença das novas chinesas ainda não gerou mudanças significativas na participação de mercado.
“Mesmo com produção local e todo o esforço das fabricantes, ainda não observamos grandes impactos no mercado”, afirma Reinaldo Sakis, diretor de pesquisa da IDC para a América Latina.
Segundo Sakis, o principal entrave é a falta de investimento em marketing e construção de marca, além de preços pouco competitivos frente às marcas já consolidadas.
Atualmente, sete marcas chinesas operam no Brasil — excluindo a Xiaomi, que está presente desde 2018. As estratégias adotadas variam:
Importação direta: como fazem Huawei e Honor.
Parcerias locais para montagem: exemplo da Oppo com a Multi (ex-Multilaser) e da Infinix com a Positivo.
Fabricação própria com terceirização: como Jovi e realme, com produção em Manaus.
A Jovi, por exemplo, recrutou executivos brasileiros experientes, vindos de empresas como TIM, Samsung e Positivo. No entanto, o esforço ainda não se traduziu em vendas expressivas.
De acordo com Sakis, o maior desafio das novas marcas é conquistar a confiança do consumidor. Para isso, é necessário investir fortemente em publicidade, algo que ainda não foi feito de forma relevante.
“Você não conquista o público com um produto desconhecido se não investir em marketing. Ter produção local é importante, mas é preciso criar desejo”, explica.
A Huawei, por exemplo, lançou recentemente celulares inovadores como o Mate X6 e o XT Ultimate Design, ambos dobráveis e com preços entre R$ 23 mil e R$ 33 mil. Os modelos chamaram atenção, mas não caíram no gosto popular devido ao alto valor e à falta de opções mais acessíveis.
“Você cria desejo com o top de linha, mas precisa acompanhar com aparelhos que caibam no bolso do brasileiro. Se esperar muito para lançar modelos mais baratos, perde o timing”, alerta Sakis.
Além de preços altos, os celulares chineses apresentam poucas inovações técnicas em comparação com os aparelhos da Samsung, Apple e Motorola — exceções são o dobrável da Huawei e o sistema HarmonyOS.
Enquanto isso, as marcas consolidadas continuam dominando as vendas. No primeiro trimestre de 2025, foram vendidos 9,5 milhões de smartphones no Brasil, aumento de 3% em relação ao ano anterior. Os dados são da consultoria Canalys.
Samsung (43%), Motorola (23%), Xiaomi (15%) e Apple (5%) responderam por quase 90% das vendas.
A esperança das novas marcas é que, na segunda metade de 2025, o cenário comece a mudar. A Canalys divulgará novos dados em agosto, e há uma expectativa de que os chineses comecem, de fato, a crescer no mercado nacional.
No entanto, especialistas são unânimes: sem investimento em marketing e em modelos acessíveis, será difícil conquistar o consumidor brasileiro — que continua dando preferência às marcas já conhecidas e que oferecem bom custo-benefício.
Escrito por Rádio Terra
today12 de abril de 2023 9461 9
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